quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

RAFAEL/ 20


" O aposento que lhe pertencia era contíguo ao meu quarto, apenas separado por uma porta de carvalho fechada com dois ferrolhos. Eu podia confusamente distinguir-lhe os passos, o leve roçar do vestido, o ruído das folhas do livro, que os seus dedos viravam; algumas vezes até me parecia ouvir-lhe a respiração. Junto a essa porta colocara eu instintivamente a mesa em que escrevia e sobre a qual punha o candeeiro, porque me sentia menos só ouvindo esses leves movimentos de vida em torno de mim. Imaginava viver acompanhado com essa vizinhança desconhecida, que insensivelmente acalentava todos os meus dias. Numa palavra, conservava em segredo todos os meus pensamentos, todos os disvelos e subtilezas da paixão, sem mesmo desconfiar que amava." Continua

3 comentários:

Cleo disse...

Vim ler essas maravilhas.
Lindo.
Beijos
Cleo

netuno artes disse...

Muito interessante o poema, leve, solto,
as imagens que vc escolhe são muito bonitas, parabéns pelas escolhas,
tmbm acho interessante a maneira de encerrar os textos:
" continua " ,

ficamos a pensar se aquele poema propriamente dito continuará ou não, fica-se na expectativa, gera-se ansiedade de vir buscar mais e mais palavras,
parabéns é tudo muito criativo

Estrella Altair disse...

E curioso, como esse leve e suave contacto, transforma-se as vezes em outra coisa mais importante que tira soledade.

Um abraco

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